Istambul, essa bela localidade. Porquê começar aqui? Muito simplesmente é o destino fora da Europa (ou na fronteira neste caso) mais acessível a um pobre viajante como eu.
A Turquia é um ponto de passagem para paragens mais distantes, porque tenciono cá voltar, para aproveitar o Verão e as praias. (recomendam cruzeiro num veleiro ao longo da costa do mar Egeu e Mediterrâneo...parece-me agradável).
Planos concretos para a viagem ainda não há. Após uma breve passagem pela Turquia, irei dar uma saltada a Síria, ver se o meu amigo Assad se anda a portar bem e aproveito para entrar no Líbano. 7 a 10 dias no total. Depois regresso à Turquia a caminho do Irão. Estadia prevista de 10 dias (nunca mais de 15 dias porque o meu visto não dá para grandes brincadeiras). De seguida o ponto quente da minha viagem: Paquistão. Dependendo da situação política (ou melhor militar) explorarei o país, ou então só de passagem a caminho da Índia. Depois sudoeste asiático até Hong Kong, onde farei uma reflexão profunda do sentido que esta viagem deve tomar. (ou seja, vou ao meu online banking e ver se ainda tenho dinheiro para mandar cantar um cego).
Voltando a Istambul. Uma cidade enorme. 16 milhões de pessoas, estendidas num tapete de casas, numa passagem entre a Europa e Ásia. Há qualquer coisa aqui, um je ne sais quoi, que me faz sentir bem, e me dá a certeza que irei cá voltar com mais tempo, melhor tempo (e mais dinheiro).
Fico em casa do Ricardo e do Albano, malta amiga de Coimbra, que estão em Erasmus. Um grande abraço para eles, e a estadia fica mais que paga com o estojo de banho que me esqueci na vossa casa de banho. Aproveitem malandros!
O ponto turístico desta cidade é sem dúvida as duas mesquitas, Hagia Sophia e a Mesquita Azul. (ok, e o estádio do fenerbahce, besiktas, e do galatasaray!).
Mas o que mexe mesmo connosco, é o Bósforo, a divisão entre a Europa e a Ásia, entre Ocidente e Médio Oriente, entre Cristianismo e Islão. Recomendo sem dúvida o cruzeiro turístico no Bósforo, ao longo das margens, com explicações detalhadas da história da cidade e dos monumentos que se avistam. (atenção! ouvi dizer que é bom!Eu limitei-me a apanhar os cacilheiros cá do sítio, que atravessam o Bósforo de uma forma simplesmente selvagem, para transportar gente que trabalha no duro o dia todo. como eu).
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
First stop: Istambul
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
O início...
A música 125Azul do Luís Represas, a passar na rádio, fez-me abrandar dos 150km/h na A1, para uma velocidade digna de ser ultrapassado por um papa-reformas.
Há algumas semanas que procurava um nome digno para o blog da minha viagem. Alguns títulos perto de merecerem a confiança aqui do mister foram www.1bilhete&trocos.blogspot.com, www.arancarapaz.blogspot.com ( em honra do meu antigo treinador de rugby Romeno - por favor ler com sotaque romeno), www.fugirdacrise.blogspot.com,entre outros títulos ainda mais ridículos que os mencionados.
Ao ouvir a 125 Azul do Luís Represas, que faz já parte do nosso património nacional, pela milionésima vez, comecei subitamente a identifica-la com a minha viagem.
Passagens como
"Foi sem mais nem menos
Que me deu para abalar sem destino nenhum "
"Sem pendura que a vida já me foi dura
P´ra insistir na companhia"
"Viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
Sem paredes, sem ter portas nem janelas
Nem muros para derrubar"
"Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre"
"Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
De uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
Só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
E com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu "
fizeram-me identificar imediatamente a letras da música com o projecto em que embarco.
Uma viagem, sozinho (eu ate gostaria de companhia, mas o pessoal só esta virada em ir para o carnaval do Brasil e para a Rep. Dominicana mamar pinacoladas) de mochila as costas, com dinheiro (mal) contado, que não sei bem até onde e quando me pode levar.
Há uma vontade de partir, por entre o calor (neste caso o frio), a caminho do vazio, para me encher de experiências, de histórias, doenças tropicais, de amigos, de cidades, fotos, paisagens, sabores, e cheiros (muitos deles desagradáveis, prevejo). E voltar outra pessoa. Melhor espero.
A escolha do nome do blog estava então feita. O 125asul, vem, antes de mais, do 125azul.blogspot.com estar ocupado (ah e tal, não me vou por aqui com romantismos e outras lerias para enganar o querido leitor, como se tivesse sido de propósito esta corrupção do titulo da canção!)Ainda que o último post do 125azul.blogspotcom seja de Outubro 2006 acerca da definição da palavra limite (o que me daria, também a mim, azo para escrever durante a tarde inteira!), há que respeitar a arte literária alheia.
O 125asul surgiu por recomendação da minha irmã querida, com o argumento que iria para Sul de Portugal. Na realidade o plano inicial é ir para oriente, sudeste vá lá! Mas pronto, o nome tem a sua pinta. Na realidade a intenção da minha irmã creio que foi a de me influenciar a dar um ar serio e filosófico a este blog, com reflexões ponderadas e responsáveis pelos sítios por onde vou passar, e, quem sabe tentar fazer sombra ao Miguel Cadilhe.
Infelizmente, esse segmento de mercado já está ocupado. Por favor, dirijam-se a qualquer livraria, ou comprem o fugas para literatura de viagem erudita. Não que periodicamente não tente algumas tentativas (prevejo) frustradas de embarcar nessa corrente literária, mas mais longe que estas crónicas aspiram chegar é a um suplemento do borda de água!
Expectativas para este blog? Baixas. (sem mencionando os períodos de não actualização por pura preguiça!)
Acima de tudo há que esperar algo...diverso, a semelhança do mundo que estou prestes a descobrir.